O carregador na frente da loja traz cliente? Hoje ninguém sabe responder. A gente responde.
Sem termo técnico. Se você não é da área, leia só esta parte.
A GoodWe quer vender carregador de carro elétrico para o comércio. Quem compra é o dono do supermercado, do restaurante, da farmácia. E ele tem uma dúvida só: isso me traz cliente ou é dinheiro jogado fora?
Os painéis que existem hoje mostram quanta energia saiu e quantos carros carregaram. Nenhum mostra se a loja vendeu mais por causa disso. O dono instala no escuro e continua no escuro.
Do outro lado tem o motorista. Ele chega, pluga e não sabe quanto tempo vai demorar nem quanto vai pagar. Sem saber, ele não planeja a parada. E quem não planeja não entra na loja.
A mesma telinha vai para o celular. A pessoa aponta a câmera para o QR ao lado da vaga e continua acompanhando enquanto faz compras — sem instalar aplicativo nenhum. É uma página que abre e pronto.
O painel do dono também é um site. Ele abre no computador da loja ou no celular, em casa, do mesmo jeito.
A inteligência artificial é o que faz as duas telas funcionarem. Ela prevê três coisas: quanto tempo falta para o carro encher, quanto a recarga vai custar no fim, e quanto movimento a loja deve ter nas próximas horas.
Sem a primeira, a telinha não tem o que mostrar. Sem a terceira, o painel não consegue avisar o dono antes de um problema acontecer. E não é detalhe: a conta que o mercado usa hoje erra por volta de 40 minutos — sempre no fim, bem na hora em que a pessoa decide se espera ou vai embora.
O motorista não paga pela recarga. A loja banca a energia como quem banca um estacionamento grátis ou um cafezinho: é gasto de marketing para atrair gente que compra dentro.
É muito mais fácil um dono de loja aprovar isso do que virar vendedor de energia — o que exigiria maquininha, nota fiscal e competir com Shell e EZVolt, que já têm rede montada.
Mas repare no terceiro número. Ele é o que decide se essa história funciona, e a maior parte das apresentações sobre recarga em comércio simplesmente não olha para ele. A gente olhou, e o resultado muda o projeto — está logo abaixo.
O motorista paga a energia, e parte volta como crédito da loja. A vaga deixa de ser despesa de marketing e passa a se bancar sozinha: a energia é vendida com margem. O que traz a pessoa para dentro é o cashback — uma fatia do que ela pagou, que só vale ali.
O percentual é calculado por loja: margem da energia mais o lucro da visita, menos a amortização do equipamento, sobre o valor médio da recarga. Acima do teto, o programa passa a consumir o próprio retorno — e o painel avisa antes disso acontecer.
O desenho anterior era cortesia: energia de graça até um teto, absorvida pela loja. Ele saiu por dois motivos. Dependia de o lojista renovar um orçamento de marketing todo mês, e o teto que se pagava variava tanto entre segmentos que no supermercado dava negativo. Vendendo a energia, o mesmo supermercado passa a ter folga para devolver crédito.
É a pergunta certa — não adianta a pessoa parar na loja, gastar dinheiro e sair com quase nada na bateria. Fomos atrás dos números.
Uma visita a supermercado no Brasil dura 30 a 45 minutos. Num ponto comum, é isso que entra:
| Carro | Bateria | Em 30 min | Em 45 min | No teto de 2h |
|---|---|---|---|---|
| BYD Dolphin Mini o mais vendido do país | 30 kWh | 32 km | 47 km | 126 km |
| BYD Dolphin | 45 kWh | 24 km | 36 km | 95 km |
| GWM Ora 03 | 48 kWh | 17 km | 25 km | 67 km |
Uma ida ao mercado devolve de 17 a 47 quilômetros. Para quem roda na cidade, isso é o dia inteiro — e custa R$ 3,59 para a loja.
Por isso o cashback é um percentual do valor, e não um valor fixo: recarga de R$ 8 e recarga de R$ 60 não merecem o mesmo incentivo, e o percentual acompanha as duas sem tabela.
E a tela fala em reais e em quilômetros, não em kWh. "Você já tem R$ 2,40 de crédito" diz alguma coisa. "3,04 kWh" não diz nada.
Não foi escolhido no chute. Ele sai do lucro que a sessão gera — não do que o cliente gasta, mas do que sobra disso para o dono.
Os números vêm de fora: cerca de 90% dos motoristas compram algo enquanto carregam e quem carrega durante a compra gasta 12% a mais. Um estudo publicado na Nature Communications mede o efeito no faturamento anual do estabelecimento entre 0,8% e 3,2%.
Cruzando isso com a margem de cada segmento, é este o teto que cabe:
| Segmento | Margem | Lucro da sessão | Teto que cabe | Em km |
|---|---|---|---|---|
| Pet shop e clínica | 20% | R$ 7,99 | 10,1 kWh | 105 km |
| Restaurante | 10% | R$ 3,20 | 4,1 kWh | 42 km |
| Supermercado | 2,9% | R$ 0,46 | 0,6 kWh | 6 km |
Supermercado não fecha em cenário nenhum. Com 2,9% de margem, a sessão inteira gera menos lucro do que custa um quilowatt-hora. Não é questão de calibrar melhor — é segmento errado.
Some a isso o equipamento: um carregador de 7,4 kW instalado custa R$ 4.500 a R$ 7.000, e a maioria dos pontos no Brasil opera com menos de 15% de utilização diária. Diluído em cinco anos a três sessões por dia, dá R$ 1,11 por sessão — que sai do mesmo bolo.
Com tudo somado:
| Segmento | Margem | Ticket | Lucro | Energia | Saldo |
|---|---|---|---|---|---|
| Academia | 15% | R$ 130 | R$ 19,50 | R$ 5,99 | + R$ 13,51 |
| Pet shop e serviços | 12% | R$ 150 | R$ 18,00 | R$ 7,19 | + R$ 10,81 |
| Restaurante | 8% | R$ 120 | R$ 9,60 | R$ 7,19 | + R$ 2,41 |
| Farmácia | 5,5% | R$ 45 | R$ 2,48 | R$ 1,20 | + R$ 1,28 |
| Café e padaria | 9% | R$ 35 | R$ 3,15 | R$ 3,19 | − R$ 0,04 |
| Supermercado | 2,9% | R$ 60 | R$ 1,74 | R$ 3,59 | − R$ 1,85 |
O supermercado é o pior caso, não o melhor. Quem ganha com isso é quem tem margem boa e visita longa: academia, pet shop, restaurante, clínica, hotel. Foi o exemplo que a gente vinha usando e estava errado.
Nada disso invalida o modelo — invalida usar o mesmo desenho para todo mundo. E aponta para a função mais valiosa do produto.
O painel calcula, com o ticket e a margem daquela loja, até que percentual de cashback ela pode devolver sem perder dinheiro — e configura o ponto sozinho.
Nenhum concorrente faz isso, porque nenhum deles sabe quanto a loja fatura. Nós sabemos.
Sem isso, a venda dele se mistura com as outras e o dono nunca descobre se o carregador se pagou.
Duas ideias óbvias não funcionam, e vale dizer por quê antes de apresentar a que funciona. Pedir para escanear o cupom de papel: quase ninguém pega mais o cupom. Cruzar pelo CPF na nota: a maioria não informa CPF, e prefere não informar na hora de pagar.
As duas partem do mesmo erro — pedir que o cliente faça algo sem oferecer nada em troca. Ninguém faz.
Então não pedimos. A gente dá um desconto — e o desconto é que carrega a identificação. É assim que o varejo resolve isso há décadas: cupom.
O desconto não é custo perdido: ele também aumenta a chance de a pessoa comprar, que é o objetivo do carregador em primeiro lugar. E o valor é a loja quem define — pode ser R$ 5, pode ser um café.
Se a loja já tem cartão de fidelidade, melhor ainda: o código vira o próprio cadastro dela, e o cliente é reconhecido nas próximas visitas.
E quem não pegar o desconto? Aí o painel mede por comparação — quanto a loja fatura em períodos parecidos, com e sem recarga acontecendo. É menos preciso, mas responde a pergunta que interessa de verdade, que é se o movimento aumentou.
E é aqui que o nosso software vira obrigatório: sem provar que dá retorno, nenhum dono aprova o investimento. É isso que faz a GoodWe vender software junto com o equipamento, em vez de só o equipamento.
Quem preferir cobrar pode cobrar — é só mudar uma configuração no ponto. Serve para estacionamento pago e posto de estrada.
Como funciona por dentro, os números e as decisões de projeto.
Ela é o motor do produto, não um enfeite. São três previsões, e cada uma sustenta uma tela:
Como ela aprende, sem inventar dado. Começa com um modelo do comportamento físico da bateria, que já funciona sem histórico nenhum. Depois é ajustado com as sessões medidas no laboratório da FIAP. E em operação, cada recarga real realimenta o modelo — o produto melhora com uso, e isso é argumento de venda.
O erro da previsão contra o que de fato aconteceu fica visível no painel do dono. Sistema que mostra o próprio erro é o oposto de caixa-preta.
O mercado inteiro estima tempo dividindo energia por potência. Só que bateria não carrega em ritmo constante: perto do fim ela desacelera de propósito, para não se danificar.
Num caso comum — carro de 50 kWh num carregador de 7,4 kW:
| Carga atual | Até 80% | Até encher | Conta simples diz | Erro |
|---|---|---|---|---|
| 10% | 5h26 | 7h40 | 6h59 | 41 min |
| 50% | 2h20 | 4h33 | 3h53 | 40 min |
| 85% | — | 1h50 | 1h10 | 40 min |
Quarenta minutos de erro — e sempre no fim, exatamente quando a pessoa está decidindo se espera ou vai embora.
Nosso modelo trata os dois ritmos da bateria e ajusta o ponto de virada conforme a velocidade da recarga. Num carregador lento de 7 kW a bateria só desacelera perto dos 92%. Num rápido de 100 kW ela já desacelera aos 58%. Tratar os dois igual era o erro da primeira versão — inflava a recarga lenta em duas horas.
A conta simples fica no código do lado, de propósito: toda comparação usa o mesmo programa, e o erro do modelo contra o que realmente aconteceu aparece no painel.
Achado de campo: o próprio SEMS+ da GoodWe estima autonomia como kWh × 5 — a mesma constante para qualquer carro. É esse o número que a gente supera.
Já está pronto e navegável. Primeira dobra respondendo o retorno, situação dos carregadores ao vivo, sessões, clientes, vendas atribuídas e financeiro. O lojista monta o próprio painel: arrasta os cards, puxa o canto para redimensionar, guarda mais de uma versão e escolhe se ela é dele ou de toda a loja. Tudo fica no banco, então abrir em outro computador devolve a mesma tela. São três acessos: quem desenvolve vê todas as lojas, o gerente manda na dele, e o operador vê tudo menos o financeiro e não altera nada.
Tem tour guiado na primeira visita, tema claro e escuro, troca de estabelecimento e configurações. E a peça que mais importa: a calculadora que diz quanto de cashback aquela loja aguenta devolver, a partir da margem, do ticket e da margem da energia.
Abrir o painel → · ver a apresentação
Dados de demonstração, com semente fixa. Troque a margem em Configurações para ver o teto de cashback mudar.
O percentual de cashback é configurado por ponto, e não pela loja inteira: não faz sentido obrigar o estabelecimento a tratar a vaga da frente e a dos fundos igual.
No painel, o dono liga cada carregador em um dos dois modos, e muda quando quiser:
Teto gratuito em kWh, estendido pela compra. Para a vaga da frente, que atrai cliente.
Preço por quilowatt-hora, definido pelo dono. Para a vaga dos fundos, para quem não é cliente, ou para o estacionamento pago.
Uma padaria pode devolver 12% na vaga da calçada e 4% na de trás. Um posto de estrada devolve zero e vive da energia. Um pet shop, com margem folgada, devolve o máximo que a conta aguenta.
Isso abre o produto para qualquer tipo de negócio sem abrir mão do foco: quem tem margem alta devolve mais e enche a loja, quem não tem devolve pouco e ainda assim vende energia com margem.
Já está pronta e funcionando. Mostra a carga atual, a que horas chega a 80% e a que horas enche, quanto já custou e — com o mesmo destaque — quanto já voltou como crédito da loja.
A conta roda dentro da própria telinha, não no servidor. É de propósito: quando a internet da loja cai, a tela continua certa. Tela apagada ao lado da vaga é pior que nenhuma tela.
A mesma página serve os três lugares: o monitor na parede, o celular do motorista pelo QR, e a demonstração emoldurada. Muda só o enquadramento, não o código.
Telinha da vaga →
Telinha em modo por kWh →
Em tela cheia, como fica na parede →
O cenário muda pela barra de endereço:
vaga/?soc=0.55&compra=80&ponto=22 — carro em 55%, R$ 80 de compra já registrada, ponto de 22 kW.
A reação natural do lojista, ao ver que em 45 minutos entram só 5 kWh, é querer um carregador mais forte. Na maioria dos casos é dinheiro jogado fora.
Quem limita a velocidade não é o ponto da loja, é o carregador que vem dentro do carro. Os elétricos de entrada — justamente os que o Brasil compra — aceitam por volta de 6,6 kW em corrente alternada. Instalar um ponto de 22 kW não entrega nada a mais para eles.
Entregar mais rápido exige corrente contínua, que custa uma ordem de grandeza a mais em equipamento e em obra elétrica — e só se paga em posto de estrada, onde a pessoa está de passagem e o tempo é o produto.
Para o comércio de bairro, a conta certa é a oposta: duas vagas de 7,4 kW rendem mais que uma de 22 kW, porque atendem dois clientes ao mesmo tempo. É esse tipo de resposta que o painel do dono precisa dar.
Tudo é página de internet: a telinha, a visão do motorista no celular e o painel do dono. Nada de aplicativo para baixar.
Instalar é a maior barreira que existe. Quem para uma vez naquela loja não vai baixar um aplicativo para carregar uma vez — e o excesso de aplicativos de recarga já é uma reclamação conhecida no Brasil, com cada rede exigindo o seu. Somar mais um piora o problema em vez de resolver.
Com QR, a pessoa aponta a câmera e a página abre. Sem instalar, sem cadastro, sem senha.
E para quem vira frequentador, o navegador resolve o resto: dá para salvar na tela de início do celular e receber aviso quando o carro encher, sem passar por loja de aplicativo.
De quebra, é uma base de código só para três telas — o que, com o prazo que a gente tem, importa.
A lista abaixo é a lista fechada. Não entra mais nada sem um bom motivo — cada dependência nova é uma coisa a mais que pode quebrar na véspera.
fastapi, uvicorn, psycopg e requests.
scrypt, sessão no banco, seis tentativas de login por e-mail em cinco minutos. 54 verificações automatizadas disparam requisições reais contra o serviço publicado e conferem cada uma dessas regras.
Operar rede pública já está tomado: Shell Recharge, EZVolt, Zletric, Enel X, e a WEG comprou o controle da Tupinambá em 2025. Entrar por ali é chegar tarde. A GoodWe está dentro do imóvel do cliente, e é lá que está aberto.
A favor: pela regra da ANEEL, qualquer pessoa pode vender ou dar recarga livremente, sem concessão e com preço livre. O modelo de negócio é escolha de produto, não limite jurídico.
Cada etapa entrega algo que se apresenta sozinho. Se o tempo acabar na terceira, ainda existe produto.
Só uma pendência de verdade, e ela é de conta, não de software.
A conta de equilíbrio considera apenas a energia. Falta somar a amortização do carregador e da obra elétrica, que é o gasto de entrada do lojista e o que ele mais vai perguntar. Some isso e os saldos positivos da tabela encolhem — em alguns segmentos, some.
É a próxima coisa a levantar: preço do equipamento, custo típico de instalação, e em quantos meses aquilo se paga com o ganho por sessão.